Dois pesos, duas medidas

No hoje caótico, ditatorial e corrupto sistema de ônibus do Grande Rio, nota-se que existem dois pesos e duas medidas quando o assunto são irregularidades nas empresas de ônibus.

A Turismo Trans1000, ligada a "peixes grandes" da política e do Judiciário da Baixada Fluminense, levou seis anos para ser cassada, e, mesmo assim, depois de intensa pressão das associações de moradores das cidades atendidas.

Um sócio foi assassinado, a empresa não renovava frotas, só comprava carros de segunda mão e mantinha-se de pé, mesmo quando vários acidentes aconteceram, um com morte que mal foi divulgado na mídia.

A Transportes Paranapuan, empresa "rebelde" de um consórcio, cujo dono não parece ter muito destaque no ramo, era contra a pintura padronizada, se desentendia com outros empresários do consórcio Internorte, e teve dois trágicos acidentes num prazo de dois anos. Perdeu oito linhas.

A Paranapuan ainda teve a linha 910 Bananal / Madureira, uma das mais rentáveis e tradicionais da empresa, esquartejada por causa dessa bobagem chamada Bilhete Único. A linha foi substituída por um trajeto que já é coberto por uma zaralhada de empresas.

Que a empresa tem irregularidades, é verdade. Mas outras também tem. A Verdun, Matias, Acari, Madureira Candelária, Pavunense, Rubanil, Real, Braso Lisboa etc etc etc. A Pavunense foi substituir a Madureira Candelária em uma linha e já rodou com um carro semi-novo com remendos numa das janelas que perigava cair.

Quanto à Transmil, é muito estranho essa disparidade de reações. Ela já sofria acidentes diversos e graves desde 2009, e nada era feito contra ela. Apenas o setor Japeri - Queimados saiu de suas mãos, mas manteve outros setores (Nova Iguaçu, Nilópolis e Mesquita) que as autoridades durante um tempo fingiam ignorar as irregularidades.

A Transmil tinha até blindagem de busólogos pelegos, que se irritavam com os protestos contra a empresa, até o ponto em que tais manifestações se tornaram mais intensas e chegavam a repercutir no Poder Legislativo das cidades da Baixada. 

Aí, tiveram que engolir seco. Não fosse a pressão do povo, a Transmil continuaria circulando até hoje com a mesma tosca "renovação" de frota comprando carros velhos, sempre vivendo dos restos que as empresas cariocas despejam (e olha que os ônibus cariocas estão quase todos sucateados, até os da Zona Sul).

Já a Paranapuan, foi rápido. Oito linhas lhe foram tiradas das mãos, enquanto antes uma lhe foi esquartejada de forma "positiva". por causa do sistema BRT (Bullshit Ridiculous Transit), as latas de sardinha king size dos ônibus cariocas. 

É certo que a Paranapuan anda muito deficitária, mas a intervenção só se deu porque a empresa não tinha "peixes grandes" amigos das autoridades, como a Transmil, que parecia receber tratamento vip do poder político e posava de vítima quando denunciada por irregularidades.

Já existe uma ameaça de cassação da empresa, o que fará a festa da politicagem de uns grupos empresariais que devoram feito urubus comendo carniça linhas que já foram de empresas deficitárias, como Translitorânea, Andorinha, Rio Rotas e outras, sem que se leve o critério de área de bairros ou de proximidade de garagem.

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