Morreu Luiz Paulo Conde, o "pai" das linhas de ônibus esquartejadas

Você que trabalha ou estuda na Gávea e mora em Madureira, que é obrigado a pegar um ônibus para a Barra da Tijuca e daí pegar um BRT lotado para o referido subúrbio.

Você que mora na Ilha do Governador e quer tem que pegar um ônibus para o fundão e daí pegar o BRT superlotado para Madureira. 

Você que mora na Penha e, para ir para a Praça Seca, precisa ir primeiro para Madureira e daí pegar um "alimentador" para o destino final, pode "agradecer" a Luiz Paulo Conde, que pensou em tudo isso que você é obrigado a aguentar no sistema de ônibus carioca.

Ele queria copiar o paranaense Jaime Lerner, filhote da ditadura que foi se passar por "urbanista progressista". Encomendou um bando de acadêmicos incoppetentes para bolar um sistema de ônibus com linhas esquartejadas, padronização visual nas empresas, eliminação de terminais no Centro (haja caminhada) e redução de ônibus em circulação nas ruas (haja espera...).

O plano, anunciado em 1998, quando Conde era prefeito desse Alabama à brasileira que é a Cidade do Rio de Janeiro, não foi implantado e os tecnocratas ainda foram arrogantes. Acharam que era um "plano genial", espernearam na imprensa e choraram feito criancinha teimosa quando a mãe lhe nega a compra de um brinquedinho. Aí tinha técnico tal e político qual falando como se tivessem "descoberto a origem do universo" quando queriam apenas implantar um sistema de ônibus no qual o passageiro seria o maior prejudicado.

Mas, para alívio dessa gente enclausurada e autista nos seus escritórios e colegiados, que pensam a cidadania através de programas como Photoshop e Power Point, para não dizer o joguinho The Sims ou Second Life, o projetinho dele está sendo implantado pelo autoritário PMDB carioca, o mesmo do aspirante a ditador Eduardo Cunha, mas através de seus amiguinhos festivos ligados ao xará Eduardo Paes.

Com isso, as pessoas pegam ônibus errado, têm que saltar no meio do caminho, pegam BRTs superlotados (sim, BRTs ficam superlotados) e ainda têm que esperar até uma hora para pegar certas linhas de ônibus ("calma", as autoridades garantem que TODOS os cariocas terão muito mais tempo para esperar um ônibus, até para ter tempo de ver coisas "importantes" no WhatsApp, como cachorrinho abanando rabo e bebê dublando Louis Armstrong).

Isso se deu a partir do "sonho" do arquiteto Luiz Paulo Conde, tão especialista em ônibus quanto Tiririca é de física quântica. Hoje o PMDB carioca está de luto, enquanto o povo carioca continua lutando contra todos os transtornos para tentar, de forma olímpica, pegar um ônibus sem sofrer danos sociais (para não dizer profissionais) diversos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Espírito de Equipe

Comemoração por futebol em dia de Golpe mostra infantilidade do povo carioca

Prisão de Cunha é etapa de um jogo político