As superautoridades cariocas se esqueceram da Baía da Guanabara

Os superpolíticos que integram o grupo que está no poder no Rio de Janeiro, desde 2009, tinham todo o tempo para despoluírem a Baía da Guanabara.

Nas entrevistas, eles são sempre os primeiros a apresentar grandes ideias, a dizer que farão tudo para melhorar o Estado e suas respectivas cidades, acham que sempre têm uma solução pronta para tudo e alegam que vão acatar as mais complexas sugestões e priorizar ações em prol do interesse público.

Mas dizer é muito fácil, e muito se falou, falou e falou. As autoridades do Rio de Janeiro, super-heróis da modernização do país, se perderam em ações paliativas que se mostraram nocivas para a população. 

Criaram guaritas em favelas, que chamaram de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) que deram em nada e só fizeram voltar a violência que destrói as vidas de quem nada tem a ver com os conflitos entre policiais e bandidos (ou entre quaisquer deles contra "semi-bandidos" que integram as "milícias"), já que são os inocentes os mais vulneráveis diante desse tiroteio.

Impuseram a intragável e até hoje inaceitável pintura padronizada nos ônibus e a corrupção no sistema aumentou, os defeitos que existiam se agravaram e vieram novos para piorar a situação. E até os BRTs estão um lixo e rodam superlotados. E o Bilhete Único, que iria deixar as tarifas em tese mais baratas, só fez extinguir linhas importantes e empurrou os cidadãos para o atraso no trabalho, com sério risco de serem demitidos de seus empregos.

Não cuidaram do saneamento nem da estrutura urbana e o que vemos foi bueiros voando e ferindo até turistas, incêndios atingindo prédios históricos, assaltantes matando cidadãos em pleno meio-dia de intenso movimento no entorno da Av. Pres. Vargas, e uma série de incidentes trágicos ou, pelo menos, dramáticos que mancham a imagem da Cidade Maravilhosa e sua região metropolitana nos noticiários.

E a Baía da Guanabara, que os superpolíticos como Eduardo Paes e companhia prometiam despoluir imediatamente, tornou-se mais poluída e feia e ficou um ambiente impraticável para os atletas. Daí o justo protesto que eles fazem, às vésperas do Rio 2016.

A essas alturas o governador Luiz Fernando Pezão teve que abrir mão do otimismo em dimensões olímpicas que seu colega e prefeito carioca, Eduardo Paes, expressava na sua pretensão de achar que pode fazer tudo, sem ter interesse real para isso. Pezão admitiu que não dá para despoluir a Baía da Guanabara a tempo para os jogos olímpicos no Rio de Janeiro.

Os atletas estão reivindicando que, pelo menos, se isole o lixo da área de competição. Talvez os políticos, do jeito que eles são, empurrem tudo para Niterói, sob a resignação de seu prefeito Rodrigo Neves (que parece se comportar como se fosse o "chinelo de Pezão").

Tudo vai ficar na mesma, porque os políticos cariocas têm um grande talento para falar e fazer mil promessas. No entanto, eles não têm o talento necessário para realizá-las, e não ser da pior forma possível. Talvez seja porque eles brincam tanto de TheSims e montam arquivos no PowerPoint e Photoshop. A Baía da Guanabara não faz parte desse cenário virtual.

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