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Como fingir gostar de futebol no Rio de Janeiro

O brasileiro é fanático por futebol, porque foi educado para isso. Em todo o país, o gosto pelo futebol é obrigação social, é verdade. Mas no Rio de Janeiro, é muito mais do que isso. Gostar de futebol e regra de etiqueta. Para o carioca, seu RG e seu CPF não interessam. O que interessa é o seu time de futebol favorito. Isso é o que conta para definir uma pessoa como simpática e agradável.

Assumir para um carioca que não gosta de futebol é o mesmo que assumir ateísmo para um crente neo-pentecostal. O carioca vai vê-lo como ameaça social e inventar defeitos na tentativa de se livrar de você. Ou na melhor das hipóteses vai te tolerar, mas colocando um estigma negativo pelo fato de você não "entrar na brincadeira de todos".

Mas há um meio de não queimar seu filme perante os cariocas: fingir que gosta de futebol. Mas para isso tem umas regras a ser seguidas para que você não seja desmascarado e seja vítima de preconceito social.

- A primeira coisa é não escolher nenhum dos quatro times mais famosos do estado. Se escolher um deles, a cobrança nas conversas será alta e vai exigir mais detalhes e você vai acabar sendo obrigado a assistir aos jogos e se informar mais sobre os históricos dos times. Descarte qualquer um dos quatro times mais famosos (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo).

- Escolha um time menos popular. América, Bangu ou qualquer um de uma cidade do interior fluminense são boas pedidas. Os torcedores do "quarteto fantástico" não vão se interessar pelo que acontece com estes times e você terá maior liberdade para fugir de detalhes e até poderá mentir à vontade.

- Sobre estes times menos populares, basta saber a situação de cada time (isso você pega fácil em portais de notícias esportivas) e os nomes dos atacantes e do goleiro da formação atual. Isso é o suficiente para as conversas com os torcedores dos outros times.

- Não precisa assistir aos jogos e muito menos comprar objetos relacionados aos times impopulares que você escolheu. Não corra para comprar a camisa, isso é desnecessário! Papéis de parede no computador e no celular com o logotipo do time já é o suficiente para demonstrar afeto.

- Nas conversas, é bom defender o seu time impopular das críticas e elogiá-lo bastante. Dará a impressão de que você realmente gosta de futebol e do time escolhido.

- Quanto a "seleção" brasileira (a do Neymar & CIA), basta dizer que você prefere o seu time estadual. Para cariocas, os times estaduais e principalmente o "quarteto fantástico" sempre foram mais interessantes que a "seleção". Isso permite que você possa fingir desprezo pela "seleção" por achar que ela não é "tão competente" assim.

- Caso seja obrigado a falar sobre a "seleção", basta repetir o que jornais e portais da internet dizem. Quando a "seleção" entra em campo, não há quem não fale sobre o assunto.

- Nas copas, faça de tudo para não assistir aos jogos. Caso seja obrigado, basta fingir atenção (olhe fixo para a tela de TV) e repita os gestos dos outros (quando eles gritarem, grite junto, quando eles pularem, pule junto, etc..). E saia imediatamente após o jogo, fingindo concordância com a maioria. 

O ideal é que você assumisse que não curte futebol. Mas como isso gera preconceitos graves que podem resultar em perda de direitos importantes, as dicas foram essas para fingir a curtição futebolística. Mas torçamos que um dia o futebol seja visto como uma mera diversão, abandonando de vez esse caráter pseudo-cívico que ainda é a sua marca estigmatizante.

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