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Cuidado! Busodiologia pode ser muito um caminho perigoso

(Com base em e-mails enviados por busólogos da cidade do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense)

Brigar demais nunca é bom e a fúria pode trazer consequências drásticas no futuro.

Num país de torcidas organizadas que até na grande imprensa tem o chamado "ódiojornalismo" (vide Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi) e a "ódiopolítica" de um Jair Bolsonaro, infelizmente até um hobby como curtir ônibus tem a "busodiologia".

A busologia marcada pelo ódio, de valentões que, por uma coisa pequena, xinga outros de "seu merda" e, na melhor das hipóteses, apelam para o disco riscado de "pára de falar besteira" (parece refrão de pagode brega-romântico da pior qualidade), é um triste fenômeno que volta e meia aterroriza a Internet e faz a sociedade ter mais preconceito contra quem curte ônibus.

No Rio de Janeiro, houve caso até de busólogo que quis brigar demais e se deu mal. Fanático defensor da pintura padronizada nos ônibus cariocas, o valentão surtava nas mídias sociais contra quem não pensasse igualzinho a ele. Ele queria um a padronização do pensamento, um "pensamento único" para combinar com o Bilhete Único e não tolerava quem pensasse diferente.

Aí ele perdeu o freio, foi jogar uns busólogos contra outros e, num simples debate sobre ônibus, ele enfiou baixarias como ficar esculhambando o estado civil dos outros. De repente ele, como um Bolsonaro Rapid Transit a toda velocidade, passou a ter preconceito contra quem era solteiro, e perdia tempo com humilhações neste sentido.

O valentão bagunçou petições contra pintura padronizada, pensando que aquilo era mural para piadas ofensivas. Criou um blogue de calúnias que prometia desmoralizar vários busólogos. E fazia visitas a outras cidades e bairros, a pretexto de tirar fotos de ônibus, para intimidar desafetos.

Se deu mal. O excesso de valentia fez seu blogue ser denunciado. fez amigos se voltarem contra ele, e, nas cidades de seus desafetos, em vez dele encontrá-los para um "acerto de contas", era "discretamente" observado por motoristas de vans e seus amigos que do nada costumam aparecer de carro, dando voltas em lugares como Méier, Del Castilho, Madureira, Niterói e São Gonçalo.

Consta-se que existem "máfias das vans" - não é a gente que inventou, perguntem aos jornalistas especializados - que usam até vendedores ambulantes como informantes, e ficam de olho em valentões que parecem "atentos demais" para certas coisas.

Ás vezes o valentão procura os desafetos e, sem saber, é visado por homens que pensam que ele está "tirando tempo" para tomar o "negócio" deles. Eles veem que o "rapagão" está "olhando demais" para os lados e fazem marcação. E é difícil para eles explicar o que é a atividade de busólogo, porque eles pensam que isso é trampolim para invadir a área deles.

Se pessoas assim acabaram com uma juíza, acabar com um busólogo é como pisar em barata. Daí ser um perigo ficar tomado de raiva e fúria. É bom o busodiólogo não confiar demais na sua valentia, porque ela pode significar uma viagem sem volta num veículo com AR...modelo 15.

Por isso o caminho mais seguro é o respeito, evitando respostas ríspidas e agressivas e permitir a discordância e usar apenas o "bom combate" dos argumentos. O respeito é o trajeto seguro para o equilíbrio das relações sociais e o fortalecimento de um debate sadio.

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