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Futebol, "moeda" para "comprar" amigos

Todos sabemos, mesmo sem admitir declaradamente, que no Brasil o futebol é uma obrigação social. No Rio de Janeiro, a modalidade esportiva é mais do que isso: é uma regra de etiqueta. assumir publicamente que não curte futebol é considerado uma ofensa para os cariocas, já que o futebol é assunto obrigatório nas rodas de amigos. 

Além disso, cariocas costumam dividir a sociedade em quatro grupos, baseados nos quatro times mais populares no estado. Estar fora desta classificação é o mesmo que estar fora da sociedade carioca.

Mesmo que em outros estados do Brasil exista o fanatismo do futebol, mas nada é tão rígido quanto o que acontece no Rio de Janeiro, terra dos times mais bem sucedidos nos principais campeonatos brasileiros, o que reforça a rígida exigência social.

E por ser uma exigência social, o futebol se torna uma importante "moeda" para "comprar" amigos, pois muitos cariocas não perguntam se alguém gosta ou não de futebol. Muitas vezes nem se preocupam em perguntar seu nome, preferindo perguntar logo o seu time favorito para usar como rótulo a ser colocado no lugar do seu nome. Recusar isso, para os cariocas, é sinal de antipatia e de desrespeito com a sociedade.

Para quem não curte futebol, viver no Rio é um sufoco. Além da acusação de ofensa, há o preconceito sofrido que pode limitar a vida de quem não curte, que pode perder direitos importantes só porque entrou em atrito com alguém que considera o gosto pelo futebol uma obrigação irrecusável.

Resta ao não-torcedor sair do Rio de Janeiro e se mudar para algum estado onde o futebol não é tão popular. E assim o Rio de Janeiro pode perder pessoas que poderiam ser úteis para o desenvolvimento social e econômico do estado.

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