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"Lucky Man" do The Verve não teve sorte na Rádio Cidade

Não bastasse haver, nesse Rio de Janeiro matuto, uma "rádio rock" com o nome panaca (entenda sob todos os sentidos, até os do Tutinha) de Rádio Cidade,

Não bastasse a rádio ter ouvintes esquentadinhos, que não entendem bulhufas de rock mas se acham os "donos da verdade absoluta" da cultura rock. 

Não bastasse a rádio tocar "só sucessos" - fala sério, uma banda como The Cure, com 39 anos de estrada, só tem quatro músicas? - , e, apesar de forçar a barra na "atitude rock" (nada muito diferente de certos "sertanejos universitários"), discrimina 99% do que foi produzido de rock no mundo (cá para nós, a rádio se chama Cidade e não Mundo).

Não bastasse tudo isso, há certos transtornos que a paciência de Jó de quem se encoraja a ouvir um troço desses em FM - como certos patinhos carentes que endeusam a primeira rádio que se autoproclama "roqueira" que surge na sua frente - , como aguentar locutores mauricinhos que parecem aproveitados de sobras da Mix FM ou da FM O Dia falarem em cima das músicas.

Pois a "sortuda" em questão foi a música "Lucky Man", da extinta banda britânica The Verve, de Richard Ashcroft que, para quem não sabe, foi um dos ícones do cenário de britpop dos anos 90, junto a bandas como Oasis e Blur.

A mancada da rádio deu ontem, às 17 horas. Foi tocar a música, última de uma sequência de canções, e nem a música terminou, o discípulo de Emílio Surita foi falar, com sua voz de mauricinho animador de festinhas infantis, mas meio contido, anunciando a musiquinha e falando umas banalidades.

Falar em cima de músicas, no rádio, tornou-se uma prática muito decadente, tão decadente que hoje afugenta muitos ouvintes de rock que vão logo montando suas sequências de MP3, porque, assim, ouvem as músicas na íntegra e sem a intervenção desses locutores animadinhos.

Depois a gente fala que, entre o público roqueiro, a Rádio Cidade perde em audiência até para muito pen drive e o pessoal da rádio não gosta.

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