Morreu a cantora "daquele sucesso dos Fevers"

Há que se esforçar para entender os cariocas. Acabamos de receber a notícia do falecimento da cantora country estadunidense, Lynn Anderson, que em 1970 fez sucesso com a música "I Never Promised You a Rose Garden", que marcou sua carreira.

Ela estava com 67 anos, parecendo até mais idosa que sua idade sugeria. Tinha sofrido pneumonia e, na última quinta-feira, se sentiu mal e sofreu ataque cardíaco, no hospital Vanderbilt University Medical Center, em Nashville, a "meca" da country music

Lynn Anderson chegou a participar num trecho de "Rose Garden" inserido num sucesso, "I Beg Your Pardon", do grupo de pop dançante Kon Kan, popular no início dos anos 1990, hoje esquecido.

O grande problema de Lynn Anderson é que, em que pese o sucesso mundial de "Rose Garden", ela é mais conhecida no Brasil, e principalmente pelos provincianos cariocas, por ser a "cantora do sucesso dos Fevers". Pois essa banda de mercenários, que até chegou a ser boa nos tempos da Jovem Guarda, mas depois seus integrantes passaram a ser discípulos musicais de Roberto Campos e Eugênio Gudin, principalmente um tal de Ivanilton, agiu com muita esperteza.

Eles acabaram lançando a tal de "Mar de Rosas", versão de "Rose Garden", que ficou mais conhecida que a original, de tal forma que a intérprete original é tratada pelo nosso público matuto como se tivesse gravado o sucesso dos Fevers, idealizadores do "irrit-pareide" que hoje domina o país.

Mas aí você pergunta quem é esse tal de Ivanilton que foi citado nesse texto. Ora, é um carinha de Recife que se achava o "maior gênio da música mundial", foi gravar imitações de pop ianque com o nome de Michael Sullivan e depois virou o "Rei do Jabá" que alegrava a moçada (sobretudo os baixinhos da Xuxa, que recebiam, em boa parte, suas composições gravadas pela moça).

Michael Sullivan foi endeusado por barbaridades como "Um Dia de Domingo", gravada por um complacente Tim Maia em dueto com uma contrariada Gal Costa, e "Whisky a Go-go", com um Roupa Nova musicalmente enfraquecido (os caras são bons músicos) e cuja letra tratava um zé-mané como Johnny Rivers como se fosse "o rei do rock'n'roll".

Sullivan queria acabar com a MPB, destruir a cultura brasileira, jogar o nosso rico, suado e sangrento legado musical brasileiro, na melhor das hipóteses, para os almoxarifados dos museus, jogar nossos mestres para o ostracismo e tudo o mais.

Mas como brasileiro é tão bonzinho e carioca também - este só é mauzinho contra aqueles que pensam diferente dele - , Sullivan, no país em que Collor é reabilitado por seus opositores, tentou uma "bem-sucedida" volta à carreira carregado pelos mesmos emepebistas que queria destruir. Exceto aqueles que não têm coração-bobo, como Alceu Valença.

E aí vemos que os Fevers, a banda que, nos seus piores momentos, em que se entregou a um apetite mercantilista que hoje vemos na revista Veja, lançou o "gênio" Michael Sullivan, fez "Mar de Rosas" ficar mais conhecida que "I Never Promised You a Rose Garden".

Coitada da Lynn Anderson e do compositor Joe South, que fez a canção, envolvidos nesse grande sucesso musical, serem tratados no Brasil como se eles é que tivessem sido ligados à versão de um sucesso dos Fevers.

Fica aqui nossa solidariedade aos fãs, familiares e amigos de Lynn Anderson diante dessa triste perda.

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