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Platão previu o Rio de Janeiro de hoje


Não, amigos, não estamos falando do Toni Platão. Estamos falando do filósofo grego mesmo, que viveu entre os séculos V e IV a.C., e que se tornou um dos mais brilhantes pensadores de todos os tempos. Se bem que ser pensador - não, amigos, não estamos falando de Gabriel O Pensador - é algo visto de forma bastante negativa, hoje em dia.

Platão nos falava de uma alegoria genial, que é o Mito da Caverna, para ilustrar a ignorância que se nota nas pessoas em relação à realidade. Uma alegoria que Platão descreveu através do diálogo entre Sócrates e o amigo Glauco.

Havia um grupo de homens que nasceu, cresceu e continuou vivendo numa caverna. Estavam acorrentados e só olhavam para a parede do fundo da caverna, que estava à frente desses indivíduos que tinham que permanecer sentados.

Eles estavam acostumados com a situação, e com a pouca iluminação trazida pela fogueira, eles puderam ver as sombras de estátuas de homens e animais, de vasos e bacias e outros vasilhames, e através dessas imagens concebiam o que entendiam ser o "mundo real".

Um dia, um dos prisioneiros resolveu sair da caverna e, em contato com o mundo externo, a princípio teve problema de visão, mas depois, ao conhecer melhor o ambiente exterior, adquiriu maiores conhecimentos e viu uma concepção de realidade mais verídica e consistente, diferente do que ele compreendia quando estava preso na caverna.

O prisioneiro liberto voltou para a caverna para comunicar com os demais a respeito do que havia visto no exterior, trazendo para eles o relato de uma realidade bem diferente daquela que os prisioneiros acreditavam.

Os prisioneiros acorrentados, no entanto, ficaram irritados e atribuíram o relato do liberto como uma "mentira". Preferiram ficar nas suas "zonas de conforto" e ameaçaram matar o liberto que lhes trouxe uma visão da qual os demais não acreditavam.

Os acorrentados preferiram acreditar na sua ignorância que achavam ser "inteligência plena". Viam as imagens distorcidas das sombras dos objetos refletidos, e se contentavam com o que era superficial, porque atendia às suas necessidades imediatistas e diretas.

A obra de Platão é uma crítica bem argumentada ao conformismo, à alienação, ao reacionarismo, assim como ao preconceito, à estupidez e ao contentamento com pouco e a falta de discernimento com as coisas.

E pensar que esse mito foi escrito num dos volumes de A República, escrito entre 380 e 370 a.C.. Esse mito a gente observa no Rio de Janeiro, nas mídias sociais, até parece que o Mito da Caverna é uma tradição carioca. Até mesmo a fúria com que essa parcela influente de cariocas sente quando alguém tenta lhe mostrar a realidade.

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