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Quando o mestre não está aí para o mau aluno

LUIZ ANTÔNIO MELLO, EM FOTO NA ÉPOCA DA FLUMIMENSE FM, CONTINUA MANDANDO BEM COM SEUS PROGRAMAS NA RÁDIO CULT FM.

"Tínhamos uma verdadeira fobia de que uma Rádio Cidade, de repente, despejasse, com seus milhares de quilowatts, rock sobre o Rio. Estaríamos ferrados". Essa frase, hoje, parece de algum internauta invocado com os "novos tempos", mas foi escrita por Luiz Antônio Mello no livro A Onda Maldita.

Diretor artístico da Fluminense FM de Niterói, que marcou história com o perfil rock (que não se reduzia a um mero vitrolão, rádio de rock era rádio com mentalidade rock, e não as rádios pop que "só tocam rock" de hoje), LAM segue firme com seus programas Cafofo do Lam e Expresso da Madrugada. na rádio digital Cult FM.

Embora Luiz Antônio hoje não queira mais polemizar com o caso Rádio Cidade - que hoje encanou em ser uma espécie de genérico grunge da Rádio Disney, depois de, apavorada, tentar apagar os vestígios de Jovem (Klu Klux) Pan de sua trajetória - , nota-se que ele nem de longe passou a aprovar a psicótica emissora dos 102,9 mhz.

Alguns comentários dão uma senha de como o mestre Luiz Antônio - que suou para caramba, com poucos recursos financeiros, para fazer uma rádio de rock com personalidade e criatividade, não só um reles vitrolão "roqueiro" de FM - não está aí para endossar as lições de um mau aluno.

No texto "O dia em que John Lennon morreu", LAM fala da Rádio Cidade como se fosse uma rádio do passado que não existe mais (o que faz sentido, porque o que resta é apenas uma junkie em FM que só usa o nome): "Eu era o único jornalista naquela adorável e muito saudosa emissora (grifo nosso), onde fiz amigos como Fernando Mansur, Romilson Luiz, Eládio Sandoval, etc".

Claro, um profissional que formatou a linguagem e a mentalidade de uma rádio de rock não iria definir como "muito saudosa emissora" uma FM que, teoricamente, adota o rock como sua atual e "definitiva" linha de programação. Ele faria um comentário totalmente diferente, usando expressões como "continua firme" ou "herdou a linha da Flu FM" etc. Ele nunca fez isso.

Já no texto "Implacável, a Internet enterra as rádios em FM", Luiz Antônio Mello dá outra senha sobre seu desprezo à Rádio Cidade: "Em FM só ouço a CBN e a Bandnews, mesmo assim via internet. Não tenho mais receptor de rádio em casa, nem no carro. Eu e milhões de outros brasileiros".

Antes desse comentário, ele ainda deu esse parecer: "Com o avanço das webradios (...), as FMs minguam. Pìor: em vez de tentarem reagir indo para frente, para cima, ousando, buscando o novo, as chamadas emissoras do 'público jovem' e adulto contemporâneo preferem optar pelo atraso, velhas e manjadas fórmulas que ouvinte nenhum aguenta mais".

Mercadologicamente, a Rádio Cidade se define como "dedicada ao público jovem". Embora tente evitar comparações com a Mix FM, por exemplo, a Cidade FM segue rigorosamente o mesmo nicho. Queiram ou não queiram seus profissionais, ouvintes e seguidores.

Aliás, a "programação rock" da Rádio Cidade é extremamente ruim, só para dizer uma definição mais educada. Seus locutores falam como se estivessem apresentando programas especiais sobre o One Direction, com aquelas vozes enjoadas. A Cidade pensa que está atraindo o público roqueiro geral, quando só está dando certo porque rouba ouvintes da Mix e da FM O Dia.

E se aparentemente Luiz Antônio Mello não quer criar polêmicas com a Rádio Cidade, isso não quer dizer que ela foi aprovada. Nem em sonhos. Se a Cidade hoje "despeja" rock sobre o Rio - se bem que é um rock quase sempre pasteurizado e clichê - , é nos canais que percorrem a Barra da Tijuca ao sabor da "gente bonita" que tem coragem de ouvir uma rádio dessas.

Na verdade, é como vemos na escola. Se o mau aluno é desprezado pelo seu professor, isso soa tecnicamente como uma reprovação, até porque com essa atitude o professor simplesmente declara que o aluno não existe. E, não existindo, não pode ser aprovado. Na prática, a Rádio Cidade levou um ZERO do mestre LAM.

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