Em São Paulo, Cynthia Benini antecipa experiência de passageiros cariocas

Como jornalista que é, Cynthia Benini viveu, em São Paulo, uma experiência que passará a ser comum com os passageiros de ônibus do Rio de Janeiro, depois da extinção das linhas diretas que ligam a Zona Norte à Zona Sul.

Ela se atrasou na chegada à emissora e, certa vez, faltou a um plantão na semana. Com isso, ela foi dispensada pelo SBT, o que quer dizer que a gatona, colírio para os olhos de muitos rapazes, não trabalha mais lá.

Cynthia não ia ao trabalho de ônibus, mas enfrentou um engarrafamento, algo que tanto passageiros quanto motoristas sejam de qualquer modal de transporte tem que aguentar nos últimos anos.

O seu atraso é, mesmo de automóvel, a experiência que os cariocas vão ter a partir de outubro (agora falam que é novembro), quando pegarão um ônibus da Zona Norte para o Centro e depois para a Zona Sul. E vice-versa.

Os coitados dos estudantes universitários de Copacabana, por exemplo, não poderão mais ir à UERJ, no Maracanã, a não ser que percam tempo e parte das aulas por conta do atraso. E quem mora na Zona Norte e trabalha na Zona Sul terão que se atrasar muito, porque o deslocamento ficará mais difícil.

Ou as pessoas viajam em pé no segundo ônibus, quase sempre superlotado, ou terão que esperar mais tempo para ter sorte de pegar um ônibus sentado (tem que deixar cinco ônibus passarem, porque quase sempre a fila é muito longa e todos os assentos ficam ocupados). Em todo caso, o Bilhete Único perde sua validade. E o congestionamento já é suficiente para sempre chegar atrasado, até porque, com a redução dos ônibus em circulação, haverá aumento vertiginoso de carros, por conta da sobreposição de comerciais de automóveis na TV (o SBT, como toda TV aberta, também pratica isso, com exceção das TVs educativas, que moderam nos comerciais).

Cynthia Benini também reclamou que não recebeu seu peru de natal e que não teve sua estrela pintada no estacionamento da emissora. Ora, as empresas de ônibus cariocas não podem mais mostrar sua identidade visual e ninguém fica reclamando (nem o Movimento Passe Livre), porque aqui a subserviência é tanta, mesmo. É o Rio de Carneiro, de janeiro a janeiro.

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