Estado Violência

O PMDB carioca que atua na Prefeitura do Rio de Janeiro e no governo do respectivo Estado pode não ter o discurso escancarado do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mas tem seus surtos antissociais.

Pois, diante dos arrastões e da violência de justiceiros no bairro de Copacabana - último reduto antes intocado da baixização da cidade do Rio de Janeiro (não tem a ver com Baixada Fluminense, mas com baixaria mesmo) - , Eduardo Paes afirmou que a delinquência não é um problema social, mas um "problema de segurança".

Tudo começou quando, diante das ameaças de extinção das linhas diretas Zona Norte X Zona Sul, um projeto "racional" de transporte coletivo que esconde um perverso sistema de segregação social, adolescentes trabalhadores ou estudantes vindos de Jacaré foram detidos pela polícia pelo "crime" de frequentarem as praias da Zona Sul, como Copacabana e Ipanema.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que governa como se fosse síndico de condomínio de luxo da Barra da Tijuca e cujas medidas atendem ao interesse público dos... turistas de Barcelona, com sua declaração afirma que a questão do acesso do povo pobre às praias do Rio será vista como um caso de polícia. A não ser que a "galera" do Jacaré, de Lins, de Quintino etc se contente com a "prainha" que vão inaugurar em Madureira. Aí, sim, fica tudo "pelo social".

O que o senhor prefeito não sabe é que, se existe revolta dos moradores do Jacarezinho, é porque tudo começou com aquela prisão de jovens inocentes que só queriam curtir uma praia e, cariocas, tinham direito a ir para Copacabana e Ipanema, cada vez mais sujeitas à "limpeza étnica" que se esboça nas políticas das autoridades cariocas.

Além disso, o que se vê é que muitos dos arrastões que acontecem partem, na verdade, do bullying contra rapazes das periferias, partido de provocações de pitboys e mauricinhos que vivem na Zona Sul e que não aceitam ver gente pobre e trabalhadora frequentando suas praias. Eduardo Paes tenta dizer que a delinquência não é "privilégio da Zona Sul", e que jovem trepado em ônibus não é "questão de vulnerabilidade social".

Paes afirma que falta autoridade para resolver esses problemas que "não acontecem na Avenida Paulista nem nas praias de Alagoas e Pernambuco". Só que a realidade mostra que o problema que falta mesmo é Educação, Saúde e qualidade de vida, que as autoridades fingem se dedicar e não se dedicam.

A melhor forma de melhorar a imagem da Zona Sul carioca é investir em Educação, melhorar os salários dos professores, estimular o acesso dos jovens à escola e dar qualidade de vida para suas famílias. Algo que não basta fazer falar, mas fazer.

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