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Explicador ou Complicador?

A Prefeitura do Rio de Janeiro criou um simpático, porém ingênuo, personagem chamado "O Explicador", um sujeito que promete explicar todas as realizações da administração municipal, como se suas medidas fossem benéficas para a população.

Só que o simpático personagem está muito mais preocupado em mostrar o quanto sabe de gírias cariocas do que de esclarecer qualquer coisa, vide o caso do BRT em que o rapaz parece acreditar em contos de fadas. Deve ter se lembrado da carruagem do conto de Cinderela, que especialistas devem ter descoberto não se tratar de uma charrete, mas de um BRT.

Pois "O Explicador" afirma que o BRT "cabe gente pra caramba", com capacidade para 200 passageiros, e que por isso é considerado o transporte certo para a mobilidade urbana e para permitir que mais pessoas possam viajar de ônibus pelas avenidas cariocas.

Só que o que se observa é que, com o esquartejamento de linhas já realizado - em que o facão de Alexandre Sansão, o "Eduardo Cunha da mobilidade urbana", esfaqueou itinerários tradicionais como 332 Castelo / Taquara, 465 Cascadura / Gávea, 676 Méier / Penha, 689 Méier / Campo Grande, 910 Bananal / Madureira e 952 Penha / Praça Seca - e com o que se espera para a Zona Sul no próximo mês, demandas gigantescas passaram a depender de BRTs para completar os percursos parcialmente atendidos pelas "alimentadoras" que substituíram as antigas linhas.

Com isso, o BRT que tem capacidade de transportar 200 pessoas acaba tendo, para cada veículo, uma demanda que chega a ser cerca de dez vezes maior do que a lotação máxima. Ou seja, um BRT que transporta 200 pessoas tem uma demanda geral de 1600 a 2000 passageiros.

Mas essa é a lógica das autoridades. A política penitenciária também é um exemplo. Os governantes criam prisões que comportavam cerca de 80 a 100 presos por cela e a lotação chega a ser cinco ou dez meses a capacidade máxima. Tem celas para 50 pessoas que tem 200 detentos. 

Os BRTs são a mesma coisa. Com tantas linhas esquartejadas, os passageiros trabalhadores têm a dor de cabeça de completar os percursos das "alimentadoras" usando BRTs com capacidade de 200 pessoas que chegam a transportar 300 ou 400, porque se transportar 2000 pessoas, que é a demanda geral de cada BRT, os ônibus estouram de tão sobrecarregados.

Isso é que "O Explicador" não conseguiu explicar, e que o cotidiano das ruas comprova certamente.

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