Enquanto a MPB perde espaços no Rio de Janeiro...

Enquanto a MPB autêntica - aquela que não depende de plateias lotadas feito gado reunido para ter reconhecimento - perde espaços no Rio de Janeiro, o comercialismo da bregalização musical expande seus espaços e cria reservas de mercado.

Há tempos uma casa de espetáculos na Barra da Tijuca se tornou reduto desses ídolos comerciais para os quais fazer música é algo tão tendencioso e mercenário quanto produzir um automóvel ou vender um sabão em pó. Música com M de mercadoria, que só se torna maleável quando a intenção é agradar a freguesia (ou seja, aquele tipo de demanda que a granda mídia define como "clientela").

Esses ídolos musicais já têm um monte de espaços. Seu domínio de mercado atinge 95% do mercado de casas noturnas, 75% das programações radiofônicas (isso porque parte das FMs hoje investem em blablablá) e 80% dos espaços nos cadernos culturais da grande imprensa. E volta-e-meia a gente vê "sertanejos", "funqueiros" e "pagodeiros" choramingando porque não tocam em rádios especializadas em MPB.

Por outro lado, os emepebistas de verdade - que não dependem de plateias lotadas e estas não são tratadas como gado de fazenda - perdem espaços em rádios, espaços culturais lhes fecham, e as notas de imprensa cada vez mais acanhadas e escondidas junto a listões de eventos de casas noturnas em geral e de cinemas. Até filmes de animação da Pixar terão mais cartaz do que um grande nome da MPB a anunciar turnê.

E isso numa época em que a MPB se encanou de apenas revisitar velhos repertórios, realizar os intermináveis tributos, sem sinalizar qualquer renovação que não sejam as cantoras ecléticas que apostam na já enjoativa mistureba de Jovem Guarda com Tropicalismo.

Infelizmente, parece que os apreciadores de MPB estão felizes com os espaços que lhes restam. Acham que lhes basta tocarem em locais longínquos, pequenos e inacessíveis, aparecer em programas obscuros de canais ainda mais obscuros da TV paga - é preciso ser médium (não confundir com Chico Xavier, no fundo um católico que "via coisas") para sintonizar um canal desses - ou fazer apresentações saudosistas celebrando um passado glorioso que muitos acreditam que acabou mas fingem continuar presente.

Fazer o quê? É costume de uma parcela da "boa sociedade" carioca e culta ficar celebrando e brindando por valores e movimentos que não existem mais...

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