Ex-dublador morreu para mostrar que o Complexo do Alemão não é reino da fantasia

Lamentavelmente, espera-se que morra alguém com alguma referência mais destacada para chamar a atenção da opinião pública que fica indiferente até ao tiroteio que acontece a alguns metros de sua casa.

Pois o jovem PM Caio César de Melo, que havia feito 27 anos há alguns dias, que dublou o personagem Harry Potter, entre outros trabalhos como ator-de-voz (tradução do termo que define a profissão de dublador no exterior, voice actor), foi assassinado ao entrar numa emboscada armada por traficantes na área conhecida como Campo de Sargento.

Ele trabalhava numa UPP nos arredores de Bonsucesso, onde fica o Complexo do Alemão, e foi atingido no pescoço. Ele engrossa a lista de policiais assassinados enquanto trabalhavam nas chamadas Unidades de Polícia Pacificadora.

Infelizmente, foi preciso um ex-dublador do Harry Potter morrer para que os cariocas mais abastados tivessem consciência do declínio que está a ex-Cidade Maravilhosa. Ainda há muita gente confortável nos botecos rindo das desgraças alheias, e jovens bem-de-vida nos calçadões das praias contando piadas lidas no WhatsApp como se nada ocorresse ao seu redor. 

Só que essas pessoas têm que saber que o Rio de Janeiro não é Disneylândia, o Complexo do Alemão e o da Maré não são reinos da fantasia - o do Alemão tem até teleférico, mas não tem projeto urbanístico para reordenar casas e infraestruturas - e que há muito tempo a capital fluminense deixou de viver os "anos dourados" que certos bovinos tentam encontrar em bobagens como o "funk carioca" ou no fanatismo do futebol local.

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