Lei do silêncio: uma lei que não existe no Rio de Janeiro

Embora vivamos em uma suposta democracia em que teoricamente o povo decide pelo destino dele mesmo, são as  autoridades, supostas representantes suas é que decidem por conta própria as leis que vigorarão nas localidades em que lideram.

Eles criam leis de seu próprio interesse, incluindo a criminalização de qualquer coisa que prejudique os interesses dos ricos (os pobres que se danem). Baixar uma música de uma gravadora gananciosa e fraudar o Bilhete Único que não passa de uma pegadinha em foma de cartão são crimes e geram punições fortes.

Mas usar critérios subjetivos e inúteis em entrevistas de emprego e berrar de madrugada acordando a vizinhança, são coisa bem toleráveis, práticas "salutares" de "homens de bem" que não incomodam as autoridades.

E falando em berrar nas madrugadas, é mais do que sabido que a chamada Lei do Silêncio não existe na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Se você gosta de berrar, de gritar, de grunhir e vive fazendo festas o tempo todo no mais alto volume, pode ficar sossegado. A polícia e os órgãos de segurança da terra dos Eduardos Paes e Cunha não estão de olho em você.

O Rio de Janeiro é o lugar mais barulhento do Brasil. Embora em todo o país haja muito barulho visto a natureza do povo brasileiro de ser barulhento (ele é educado a achar que alegria é sinônimo de algazarra - como se fosse impossível ser feliz na quietude), o carioca é ainda mais barulhento por dois motivos: 
a) é ainda mais festeiro porque vive na capital cultural do país; 
b) é mais fanático por futebol que os outros brasileiros, sendo a modalidade um esporte que estimula a gritaria histérica. No RJ é onde se encontram os quatro times mais bem sucedidos do país, o que justifica o fanatismo incontrolável.

Mas também existem outros motivos que fazem os cariocas amarem fazer barulho. E para eles, barulho não tem hora, podendo fazer inclusive na mais alta das madrugadas. E nem adianta reclamar, para os cariocas, fazer barulho e direito básico e sintoma de bem estar. Pedir para qualquer carioca se aquietar é altamente ofensivo. Quem gosta de silêncio que aguente ou se mude e saia daqui.

Nada a fazer quanto a isso. Autoridades não se incomodam com cariocas barulhentos. Resta aos amantes do sossego se mudar para outro lugar que ainda possam ouvir os cantos dos pássaros e o uivar dos ventos. E esquecer o uivo de torcedores e de festeiros irresponsáveis a agir feito bichos no cio a ignorar tudo que acontece ao seu redor.

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