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ONU denuncia violência policial como meio de "limpar" o Rio de Janeiro

Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (sic) estão sendo acusados de realizarem "limpeza social" para garantir a "paz" no Rio de Janeiro.

Para quem, entre os cariocas que continuam felizes da vida sonhando ainda viverem numa Cidade Maravilhosa que não existe mais, está desinformado das coisas, a acusação não veio de paulistas ou nordestinos frustrados com a suposta imponência, que não existe mais, da modernidade carioca, que já se extinguiu faz tempo, mas do Comitê pelos Direitos das Crianças da Organização das Nações Unidas.

Segundo o Comitê, o Brasil tem uma das maiores taxas de homicídios contra jovens, sobretudo pobres e negros, e o Rio de Janeiro é um dos piores casos. Os membros da ONU também perceberam a relutância dos governantes em responder certos problemas sobre segurança pública.

Recentemente, moradores do Morro da Providência filmaram policiais forjando falsas provas de auto de resistência - termo jurídico atribuído a bandidos que resistem ao mandado policial - no corpo morto do jovem Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, que tinha passagens por tráfico de drogas, mas não precisava ser morto dessa maneira. Além disso, não há prova de que ele tenha resistido à voz de prisão, mas os moradores conseguiram provar que houve abuso de autoridade policial, que além do mais simulou um tiroteio com um dos policiais atirando contra uma das paredes de uma casa antes de colocar uma espingarda no cadáver da vítima.

A violência policial nas periferias é denunciada como algo tão perigoso quanto a de traficantes e milicianos, e muitos favelados inocentes são mortos por balas perdidas ou pela própria violência dos envolvidos. O Complexo do Alemão, que envolve os bairros de Bonsucesso, Olaria, Penha, Ramos e Inhaúma, seu vizinho Complexo da Maré, que fica próximo da Cidade Universitária (Fundão) da UFRJ e da Ilha do Governador, são as áreas mais perigosas e se situam no caminho entre o Galeão e o Centro do Rio de Janeiro.

Mas isso não faz muita diferença para uma parcela de cariocas felizes que são os últimos a saber dos retrocessos que acontecem na sua cidade e no seu Estado, e ficam felizes vendo coisas engraçadas no WhatsApp (nada muito diferente das vídeocassetadas do Faustão e nos "vídeos da Internet" de programas da Record e da Rede TV!) ou se isolando em boates, igrejas ou estádios de futebol para sonhar com uma Cidade Maravilhosa que insistem em dizer que continua existindo. Eles ainda vivem sonhando, sonhando...

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