É até ofensivo esperar a Rádio Cidade tocar Morrissey e Smiths

A Rádio Cidade é só uma rádio de hits, tá ligado? Hit-parade, "só sucesso", paradão, falou? Esse papo de "rock de verdade" é só para a emissora passar uma rasteira nas rádios pop concorrentes porque até os locutores seguem a linha do pop mais convencional, hoje simbolizado pelos Justin Bieber e Beyoncé da vida.

Portanto, é até ofensivo esperar que uma emissora canastrona como a Rádio Cidade - que nem comendo muito feijão com arroz chegará a ter 1% da competência de uma Fluminense FM - toque uma banda como Smiths ou a carreira solo do ex-vocalista do grupo inglês, Morrissey.

O cantor - que se apresentará no Rio, no próximo dia 24 - , mal consegue ser conhecido pela única música que os programadores das "rádios roque" costumam tocar, "Suedehead". Quando muito, ainda tem espaço para "Everyday is Like Sunday" no fim de noite.

Já em relação à banda, uma emissora como a Rádio Cidade mal consegue tocar uma meia-dúzia das maravilhosas canções de Morrissey e Johnny Marr (que está em excelente carreira-solo, mas as "rádios roque" praticamente ignoram), a saber, em ordem de importância:

1) "The Boy With The Thorn In His Side";
2) "This Charming Man";
3) "Ask";
4) "Bigmouth Strikes Again";
5) "Heaven Knows I'm Miserable Now".

Fora essas, só algum outro sucesso tipo "How Soon is Now?" e "Panic" para o fim de noite ou só para agradar aqueles jornalistas musicais descolados que fingem acreditar que as "rádios roque" são grande coisa só por conta de dois ou três programinhas mais conceituados (paciência: jornalista musical só sintoniza essas rádios depois de 21h30).

Os fãs dos Smiths nem recorrem a essas rádios, por acharem que lá só chove no molhado. Eles preferem MP3, discos importados e outras exclusividades. E se eles estão descobrindo o "disco perdido" de 1984, produzido por Troy Tate, por que eles vão sintonizar uma rádio que só toca alguns sucessos mais manjados? Alternativos têm o pé no chão.

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