Deturpação "espírita" segue forte no Rio de Janeiro, apesar das incansáveis lutas em defesa da coerência

No Brasil, o que as pessoas conhecem como "Espiritismo" nada tem a ver com a doutrina original fundada por Allan Kardec. É na verdade um engodo ecumênico majoritariamente católico que acredita na reencarnação, mas sem utilizar análises e estudo sérios para elaborar seus dogmas, estes surgidos da mesma fé cega que se tornou base de quase todas as religiões.

O "Espiritismo" brasileiro, apesar das insistentes bajulações a Kardec, foi totalmente consagrado através de Chico Xavier, católico como os dissidentes que fundaram a FEB, instituição que supostamente representa a doutrina no país, embora defendesse o imenso repertório de deturpações, contradições e equívocos. Com a diferença que Xavier nunca deixou de ser católico, exigindo tempo livre para rezar o terço e cultuar sua santa, a Nossa Senhora de Abadia. Ambos rituais reprovados pela Doutrina Espírita original, mas aprovados pela sua versão deturpada. 

O Rio de Janeiro, como parte do Brasil, cultua a versão deturpada. São muitos centros espalhados pelo estado e há o dogma estranho, lançado por uma lenda, de que a colônia espiritual (o equivalente ao céu católico) mais importante para os deturpadores, Nosso Lar, se encontra acima do Rio de Janeiro, que inclusive tem um suposto "governador espiritual", Doutor March, que batizou a rua mais importante do bairro do Barreto, em Niterói. Bobagens que somente quem não estuda com seriedade acredita e defende.

Para reforçar a deturpação, a distorcida doutrina conta com uma rádio (Rio de Janeiro AM) e um jornal (Correio Espírita), que possuem pouca audiência e vendagem respectivamente. Mas são meios que visam consagrar a deturpação, impedindo qualquer forma de correção e consagra a igreja em que se transformou uma doutrina que deveria ter surgido científica, mas que segue exaltando a fé cega.

Apesar do empenho em manter essa forma distorcida de "Espiritismo", no mesmo estado, há medidas tomadas por espíritas sérios em devolver a doutrina às suas verdadeiras características, descartando o engodo importado pelo catolicismo de Chico Xavier.

A incansável luta pelo fim da deturpação

O maior nome na luta pela fidelidade doutrinária é o estudioso e palestrante Sérgio Aleixo. Relativamente jovem, com apenas 45 anos, ele é um dos maiores intelectuais espíritas do país e mesmo com alcance limitado, tem esforçado muito em limpar o Espiritismo das impurezas do ecumenismo irresponsável. Suas palestras, mesmo com poucos frequentadores (a maioria na sede no bairro da Penha), são verdadeiras aulas de ciência espírita, muito diferentes das missas enrustidas que ocorrem na maioria dos centros. Aqui há uma amostra de seu trabalho.

Aleixo é o maior porque não temos mais o que deveria ser o maior, o saudoso José Manoel Barboza, de Friburgo. Barboza, dirigente do Centro Espírita Friburguense (da palestra do link) era outro dos dedicados estudiosos da verdadeira Doutrina Espírita. Tinha um programa em uma rede de TV UHF, Terceira Revelação na TV, o que significa que ele tinha maior visibilidade para criticar as deturpações, pois a televisão ainda e o meio de comunicação mais confiável para a maioria das pessoas e por isso ainda capaz de influenciar a sociedade. Barboza, que tinha 70 anos incompletos, nos deixou em março de 2013, por complicações decorrentes da diabetes, com ainda muito a fazer.

Outro representante do Rio de Janeiro, Lair Amaro, é professor em História e por isso pôde observar os muitos erros históricos contidos em obras do "Espiritismo" deturpado, sobretudo as obras de Emmanuel, um padre que se dizia reencarnação de um romano, mas que não sabia latim.Não é considerado um líder espírita como Aleixo e Barbosa, mas é um interessado na doutrina e escreve para revistas, inclusive as de deturpação, na tentativa de "se infiltrar" para esclarecer. Veja uma palestra dele aqui, o primeiro de uma série.

Podem haver outros cariocas e fluminenses na luta pelo verdadeiro Espiritismo, que passa longe da FEB e de seus ídolos e dogmas. Mas a luta não é fácil, pois a versão deturpada conta com apoio maciço de instituições, autoridades e possui forte estrutura midiática, contando com emissoras como Globo, Band e SBT para difundir suas práticas. Uma verdadeira luta dos Davis de Kardec contra os Golias de Chico Xavier que mesmo sem vencer definitivamente, precisa ser mantida com coragem e o mais importante: com a lógica, o bom senso e a coragem de derrubar totens e dogmas consagrados.

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