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Explicando o mito de traição das mulheres


É famoso o mito de que as mulheres cariocas costumam ser infiéis aos seus maridos. E pude comprovar isso pessoalmente. Estranhamente uma ex-colega de adolescência que nunca deu bola para mim e que é casada (e continua casada), além de ter filhos, manifestou interesse por mim ao me encontrar em uma rede social. Como não estou para Ricardão, recusei. Até porque mulher eu já tenho, sou fiel, ela é fiel (não é Maria vai com as outras, nem pistoleira e muito menos periguete) e estamos bem em nosso relacionamento aqui no Rio de Janeiro, capital. 

Na Bahia, terra de amigos nossos, quem tem fama de infiéis, são os homens e as mulheres, quando traem e são descobertas, costumam ser assassinadas pelos maridos sob a esfarrapada desculpa de "limpeza da honra". Que tipo de honra existe em matar alguém? Mas vamos ao Rio de Janeiro, foco deste blog.

Para entender o que acontece no Rio de Janeiro, e bom lembrar que a sociedade carioca transformou o futebol em uma obrigação social. No Rio de Janeiro você É OBRIGADO a gostar de futebol. Para os homens cariocas, gostar e futebol é um motivo de orgulho viril maior do que gostar de mulher. 

Um gay que ame futebol é considerado muito mais macho que um hétero que detesta futebol. Pois o tal gay gosta de futebol, um dever ensinado desde pequeno como sinônimo de "ser macho". Os menininhos são induzidos desde a mais tenra idade a gostar de futebol. Não gostar de futebol, alem de ofender a natureza masculina, ofende a sociedade carioca. É igual a dizer para um anfitrião que a comida que ele serve está ruim. Não precisa torcer para o mesmo time de uma pessoa, mas torça por qualquer um entre os quatro mais bem sucedidos (Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo).

E por ser uma obrigação social e também regra de etiqueta, os homens se sentem na obrigação de gostar de futebol, considerado para eles a coisa mais importante de suas vidas. Diz uma piada que se o Rio de Janeiro for totalmente destruído por um furacão ou terremoto e só sobrar o Maracanã e as sedes dos quatro times, os cariocas estarão tranquilos: "tudo" está salvo. 

E o que isso tem a ver com a infidelidade feminina? Simples, colocando o futebol em primeiro plano, obviamente o hobby será colocado acima da companheira, que será a segunda (ou terceira ou até mais abaixo, dependendo dos interesses do homem) coisa mais importante da vida, abaixo do que seria esperado. E, jogadas para escanteio (para usar uma gíria futebolística), o que elas fazem. Vão procurar outros homens dispostos a lhes dar atenção.

Não que os Ricardões não gostem de futebol. Mas as escapadas podem ser feitas durante jogos que os Ricardões não assistem (por exemplo, mulher de flamenguista pode dar sua escapada com um vascaíno). E todos sabem que homens dão mais atenção as mulheres quando não estão casados com elas. O casamento tira o gosto de novidade e estimula o desprezo.

E com isso as mulheres cariocas acabam ganhando a atenção de algum homem, se satisfazendo com aquilo que os maridos não estão dispostos a dar. Pois para muitos maridos a fidelidade a um time de futebol é muito mais importante que qualquer casamento. Se ela quer trair, que traia, mas o time nunca trai seus torcedores. Graças não aos jogadores, mas aos dirigentes esportivos que vocês desprezam, cornos otários!

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