Roqueiros no Rio de Janeiro contrariam qualidade fundamental do rock

A qualidade mais marcante do rock é a contestação, a revolta, a recusa, o questionamento, o combate, a rejeição. Desde "Rock Around The Clock" passando por hippies e punks e até mesmo quando os Beatles viraram suas carreiras de cabeça para baixo se recusando a se apresentar ao vivo e mudando radicalmente de proposta musical. De Jimi Hendrix a The Clash, de King Crimson a David Bowie, de Beach Boys a Syd Barrett, o verdadeiro rock foi marcado pela contestação e pela resistência.

Mas isso não vale para o Rio de Janeiro. Aqui o segmento rock deixou de lado a qualidade mais essencial do gênero e passou a ser um estilo de pessoas carneirinhas, resignadas, que aceitam de bom grado ouvir as mesmas sessenta musiquinhas que o hit-parade roqueiro libera para ouvir e se conformam com qualquer rádio FM bocó que tente se aventurar "definitivamente" no segmento.

Daí que até agora não há uma ação de questionamento, de resistência, de combate à canastrice eletrônica da Rádio Cidade, uma espécie de "Rádio Disney" versão rebelde sem causa, um movimento organizado de gente indignada semelhante ao que derrubou a antiga Estácio FM há 30 anos atrás (e olha que a Estácio dava de zilhões a zero na Cidade em termos de cobertura do rock; os locutores da Estácio só pecavam porque falavam em cima das músicas, e só).

Mas o mais grave não é isso. É que mesmo os roqueiros autênticos parecem cordeirinhos mansos diante dessa FM oportunista que só explora o rock porque os grandes empresários de shows  - que investem nesses eventos que cobram caro em tudo e vendem lanche ruim com o dobro do preço do mercado - quiseram.

Você fala para um roqueiro autêntico (sim, aquele que foi educado pela Fluminense FM, pela Eldo Pop e similares) e aí vem ele com aquele papo de "não vamos atacar a Cidade, vamos deixar ela firmar o mercado e mostrar nossas rádios". Ou então: "eles têm seu espaço, nós temos os nossos", como se a Cidade não quisesse tirar os espaços dos roqueiros autênticos (mas ela quer e provou isso várias vezes, não aceitando concorrência de Flumnense AM, Rocknet, Progressiva, Tribuna de Petrópolis e o diabo a quatro).

É um porre ver que roqueiros autênticos estejam tão carneirinhos assim, vendo uma rádio que é uma espécie de Lobão (não no sentido roqueiro do cantor, mas no sentido reaça) de FM vestindo pele de ovelha negra com muita complacência e conformação. Só o fato da Rádio Cidade tocar só uns ralos sucessos de rock, como se os grandes nomes só tivessem composto duas ou três canções, já vale a rejeição imediata e firme dos roqueiros.

Assim, do jeito que os roqueiros do Rio de Janeiro se comportam, a "galera" do "funk" e do "pagode romântico" acaba caindo na gargalhada, diante de tantos "rebeldes" resignados (ou seriam "rebééééldes"?).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Espírito de Equipe

Insensibilidade do carioca tem a ver com o consumismo

Comemoração por futebol em dia de Golpe mostra infantilidade do povo carioca