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Ódio ao PT é maior em lugares onde elite domina

Sem querer defender PT e suas personalidades, embora reconhecendo sua boa trajetória no passado, vejo que a revolta supostamente popular não possui características de engajamento político. Parece mais um grito de torcida que quer que o time adversário saia de campo. Lembra mais o ódio a um vilão típico de novelas e seriados.

Mas uma coisa a notar, e não parece coincidência é que que 95% dos revoltosos pertencem no mínimo a classe média escolarizada. Eles são influentes graças ao poder financeiro e a confiabilidade que seus diplomas de nível superior, conquistados muito mais com a intenção de vencer no mercado de trabalho do que adquirir conhecimento, e com isso conseguem convencer a maioria de que estão certos.

Lugares onde a elite domina há maior número de pessoas revoltadas com o PT, enquanto em lugares onde há mais pobres a insatisfação é reduzida. Coincidência? Não, pois sabemos muito bem que a elite gosta de se ver representada na presidência da república. Receber ordens de quem - supostamente - não estudo tanto quando os diplomados geram muita revolta nos confortáveis.

ELITE QUER INTEGRANTE DA ELITE NO PODER

Na verdade essa elite, que nunca foi maioria no país como um todo, nunca engoliu o fato de um operário de origem pobre e com apenas o ensino médio fosse tornar presidente da república. Para esta elite quem deveria mandar no país seria um representante delas, de preferência rico e de nível superior, mesmo que o diploma nada servisse para a função presidencial.

Insatisfeitos a ter que receber ordens e aguentar decisões tomadas por alguém que eles julgam inferior, os integrantes da elite esperavam um motivo "justo" para eliminar o seu inimigo pobretão do poder e colocar quem essa elite quisesse. Os escândalos envolvendo integrantes do PT vieram "na hora certa" quando o ódio virou moda reforçado por brigas nas redes sociais por conservadores que queriam preservar ideias retrógradas e os que discordavam dessas ideias. O ódio se estendeu ao PT.

A mídia, ainda considerada por muitos uma instituição confiável, foi exemplar como maestro dessa orquestra desafinada. Tradicionalmente desestimulados a pesquisar e analisar, aceitaram o ponto de vista de apenas um lado e como quem assiste uma novela, a elite e seus simpatizantes trataram logo de eleger o "herói" (o juiz-pirralho Sérgio Moro) e o "vilão" (Lula) e torcer por um desfecho que fosse mais simplório possível. Numa demonstração clara de desconhecimento da complexidade da política, que possui muito mais vilões do que se é capaz de contar. Principalmente no lado dos "mocinhos".

Esse ódio anti-petista somado ao desejo de resolver problemas de maneira mais superficial e simplória, faz com que muitos estejam satisfeitos em ver petistas e aliados na cadeia, ignorando que os verdadeiros responsáveis por tudo de ruim estão tranquilos sentados em confortáveis poltronas em escritórios refrigerados de grandes empresas. Tranquilos, mas mexendo o joystick para que os bodes expiatórios pudessem se ferrar. Empresários tem o poder de manipular coisas e pessoas.

DIPLOMAS NÃO GARANTEM CONHECIMENTO POLÍTICO

E por isso mesmo que os lugares onde a elite que glorifica esses empresários clama pelo fim da corrupção petista (a corrupção direitista pode seguir a vontade, como é demonstrada no uso da camiseta da CBF uma instituição que rouba muito mais que todos os petistas e aliados juntos) são os mesmos onde a elite se encontra em número maior, sobretudo Sul, Sudeste e Brasília.

E que ninguém venha com a falácia de dizer que esta elite, por ser melhor escolarizada, conhece melhor os fatos, pois percebo que não. Há muito tempo foi provado que escolaridade não é sabedoria e que a elite só obtém diploma para se promover na carreira profissional e ganhar mais dinheiro. Nos momentos livres, quando não estão não cotidiano laboral, essa elite não consegue mais esconder a ignorância política. Principalmente no Rio de Janeiro, único lugar onde os protestos do dia 13 superaram as expectativas, em que os habitantes não sabem cuidar da saúde.

Não sabemos como vai terminar essa novela anti-petista. Num cenário semelhante, em 1964, deu-se no golpe militar que gerou inúmeras tragédias cujas feridas ainda não foram totalmente fechadas. Infelizmente muitos integrantes da elite sonham com a volta desses tristes tempos, pensando que não vai sobrar para eles. Se esquecem que o mais fanático defensor e aliado da ditadura, Carlos Lacerda, foi morto a mando dos militares mesmo estando do lado deles. 

Só esse fato deveria servir para calar a boca desses coxinhas que trocaram os livros de História pela revista Veja e pelo Jornal Nacional da Globo. Uma elite diplomada, mas muito mal informada.

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