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Riley-Day Janeiro

Uma epidemia está tomando conta do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo a sua capital e a respectiva região metropolitana.

E não é de dengue nem de zyka-vírus.

É a Síndrome de Riley-Day, conhecida por provocar incapacidade de sentir dor, além de dificuldade de produzir lágrimas e risco de sofrer convulsões.

Os cariocas já não sentem a própria crise e decadência que sofrem. Não sentem dor com a tragédia próxima a eles. Vivem felizes mesmo quando cadáveres aparecem à sua frente. Não sentem o fedor dos caminhões de lixo nem do esgoto da vizinhança, não sentem a carestia dos preços e compram a primeira coisa interessante que veem na frente, não se incomodam com gente fumando nem se a cultura local está muito ruim. Acham que os graves problemas só servem para virar piada para conversas de botequim.

Não conseguem chorar, nem se desiludir, nem de sofrer. Mas sofrem convulsão quando contrariados, surtando em trolagens e desaforos mil, ou ficando de mal com os amigos que apresentam uma grande lista de problemas a serem discutidos, além de afirmarem não gostar de futebol nem de torcer pelos quatro maiores times cariocas.

Do jeito que a Síndrome de Riley-Day atinge os cariocas, devemos mudar o nome do Estado, e sua capital para Riley-Day Janeiro.

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