As causas e os culpados pela crise no Rio de Janeiro

Ontem, o governador em exercício Francisco Dornelles decertou Estado de Calamidade Pública no caráter financeiro, devido a crise que se alastra no estado do Rio de Janeiro. A população claro, está indignada. E esta preocupação leva quase todos a correr atrás das causas e dos responsáveis. Afinal, como e porque o Rio entrou em crise?

É preciso analisar os fatos com frieza e sem exaltação emotiva. Não estamos na hora de escolher inimigos ou amigos e sim tentar entender como a crise começou e a partir daí procurar uma solução. Colocar responsáveis na cadeia é bastante simplório, pois sabemos que nas ruas ou na prisão os culpados continuarão os mesmos. A única punição realmente eficiente é a que prejudica o patrimônio e as finanças. Mas continuamos medievais, desejando resolver com prisão qualquer tipo de crime.

Possíveis causas e culpados

Apesar de eu não estar certo sobre os motivos que geraram esta crise, posso dar alguns palpites. É algo que observo pelo andar dos fatos, mas necessitaria do conhecimento real dos bastidores da política para que eu possa fazer uma análise mais real e justa. 

Para começo de conversa, os representantes dos governos estadual e municipal, nas pessoas de Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes respectivamente, ambos filiados ao PMDB, demonstraram nítida incompetência administrativa. Mais preocupados em embelezar a cidade para o turismo (que, pasmem, só gera renda para o patrimônio particular da iniciativa privada, do contrário que quase todos pensam) e serem fiéis ao modus operandi do partido, acostumado a tomar decisões sem consulta alheia e de maneira apressada, sem análises, além de presos a estereótipos.

A incompetência de seus governantes agravou a crise que seria inevitável, pois embora a mídia oficial pouco mencione sobre este fato, esta crise é mundial. É ingênuo colocar a culpa nos governos petistas, que erraram muito de fato, mas insuficiente para serem os únicos responsáveis pela crise. 

Lembrando que o anti-petismo que fortalece no país nasceu na inconformação das elites em ver o país conduzido por um partido de proletariados. Acostumados a serem as vedetes dos benefícios governamentais durante décadas, os ricos viam ameaça a seus privilégios diante de um governo trabalhista. É tradição as elites se unirem para combater partidos e políticos trabalhistas. 

Podemos até dizer que este anti-trabalhismo pode ter contribuído para a crise, pois o grande empresariado pode ter forjado a crise para pressionar o fim dos governos trabalhistas e a volta da elite como foco principal dos benefícios públicos. O fato de Michel Temer não falar mais em crise e da mídia oficial falar pouco sobre a mesma, serve como pista de validação desta hipótese.

Ganância de lideranças públicas e privadas piora ainda mais as crises

Mas claro que os governos petistas contribuíram também. Não era para se fazer grandes evento no país. Nosso país é emergente e por melhor que esteja ele ainda tem características que o classificam como subdesenvolvido. Eventos como a Copa e as Olimpíadas tem sugado muito dinheiro de outros setores mais essenciais, ignorando que tais eventos são supérfluos e que o retorno financeiro nunca seria aplicado na vida cotidiana dos habitantes locais.

A ganância de empresários locais, já que culturalmente a elite brasileira é bastante gananciosa, tem ajudado muito a piorar as coisas, pois não há sequer um embrião de um plano de melhoria geral no país e também no estado, que pudesse garantir o bem estar de quase todos. Inclusive há indícios bem fortes que muitos empresário estão lucrando com a crise, pois podem usar o dinheiro retido em proveito próprio e usar a crise como chantagem para obter mais favorecimentos.

Trocando em miúdos, não dá para estabelecer uma causa definitiva para a crise. Digo que os fatores são muitos. Mas a ganância de políticos e empresários é um motivo bastante provável como estopim para que as coisas acabassem nesta calamidade oficializada. 

Se os poderosos cariocas não abrirem mão de seus privilégios, passando a agir com mais altruísmo e abnegação (não confundam com a paliativa caridade de ONGs e religiões, admirada por muitos, mas totalmente ineficiente), a crise com certeza irá piorar e bastará para a elite abandonar o Rio de Janeiro e assistir de binóculo, provavelmente em algum paraíso bem longe do país, o estado se espatifar graças a falta de responsabilidade social de quem teria condições de salvar o estado.

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