O mal de muitos cariocas é ver a tragédia dos outros como ficção

Nem deu uma semana em que o hospital Sousa Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, foi invadido por assaltantes para resgatar um bandido internado, um tal de "Fat Family", a violência que andou matando PMs e cidadãos inocentes, seja por assassinato, seja por bala perdida, fez mais uma vítima.

Nas 19 horas de ontem, a dermatologista Gisele Palhares Gouveia, de 34 anos, que trabalhava em Nova Iguaçu, foi morta numa tentativa de assalto num trecho da Linha Vermelha, em Duque de Caxias.

Ainda na noite de sábado, o tenente da PM, Denilson Teodoro de Souza, de 48 anos, também foi assassinado numa tentativa de assalto, não muito longe do local onde a médica foi morta. Denilson foi assassinado numa rua da Pavuna, por assaltantes. Ele era da equipe de segurança do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que na sua equipe governamental conta com o "super-xerife" José Mariano Beltrame.

São mais tragédias matando inocentes, muitos deles ainda jovens. E aí chegam aqueles cariocas engraçadinhos que parecem dizer "não tem mais jeito, o Rio está perdido", como se estivessem contando uma piada. É lamentável que a tragédia alheia seja vista como ficção por uma parcela de cariocas privilegiados e felizes, que não parecem aceitar até hoje a crise e a decadência do Estado do Rio de Janeiro que repercute mundialmente.

O episódio com a dermatologista não é uma narrativa do Game Of Thrones, nem um momento dramático do jogo de Minecraft. Da mesma forma, a morte do segurança do prefeito Paes não é um lance de jogo eletrônico. Em ambos os casos, trata-se de uma realidade que pode acontecer com qualquer um de nós. Mas, infelizmente, os cariocas não se mobilizam, não questionam, parece que sofrem daquela doença que faz alguém ser incapaz de sentir dor: a Síndrome de Riley Day. Riley Day Janeiro.

Enquanto o Vasco da Gama tiver chance de voltar para a Série A e o Flamengo e Fluminense puderem ficar no G-4 do Brasileirão e enquanto jovens podem ir para a orla das praias cariocas e os velhos ficarem discutindo futebol nos botequins, tudo fica bem. Enquanto isso, a realidade mostra seus mortos e lesados de toda ordem. Depois a gente diz que o Rio está decadente e o pessoal não gosta.

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