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Cariocas estão pegando o gosto pela monocultura

Nos anos 90 falava-se muito em monocultura na Bahia. Era só axé-music e quem quisesse fugir da monocultura teria que sair do estado. Hoje, os baianos voltam a exaltar a diversidade, a sua verdadeira vocação, e recusam a monocultura. Não apenas o Carnaval abriu espaço para outros gêneros e propostas como a própria axé-music deixou de ter aquele plec-plec-plec característico de seu auge, hoje se assemelhando mais a uma disco music requentada.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, os habitantes estão pegando o gosto pela monocultura. Monotonia deixou de significar algo incômodo. Um povo que obriga todos a gostar de uma só modalidade esportiva (o futebol), cujos busólogos ficam felizes em ver mais de 50 empresas de ônibus com uma só pintura, cujas mulheres só conseguem se interessar por branquelos com porte físico de jogadores de vôlei, e cujo maior bloco de carnaval tem "Mono" no nome, só pode ter pegado o gosto pela monotonia. No Rio, ser monótono está na moda.

A monocultura do futebol já é incômoda demais. Ela obriga todos a escolher entre quatro times de futebol como rígida condição sine qua non de sociabilização. Se quem não torce por algum dos quatro times, mesmo gostando de futebol, está frito, imagine quem não curte futebol. Que se isole, que se mate!

Agora outra monocultura está para se instalar na hoje capital da monotonia. A monocultura do "funk", este ritmo tosco, malfeito, metido a ativista, com atitude porca e violenta e que usa o coitadismo como sua tática de marketing, convencendo e comovendo (?!) incautos.

O próprio Rio de Janeiro, em falência declarada oficialmente, tem se consagrado como capital da monotonia, sem opções de lazer e com muitas localidades evidentemente abandonadas. Muitas lojas fecham as portas e nos domingos só se diverte quem tem uma considerável quantidade de amigos para poder criar motivos para se alegrar e se distrair.

Mas sinceramente, vendo o comportamento de muitos cariocas em relação a estagnação da monotonia, dá para perceber que o povo do Rio de Janeiro pegou o gosto pela mesmice. Ser monótono virou algo típico, um item pertencente à cultura e ao cotidiano do povo carioca.

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