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Cariocas pagam caro por ter votado em Eduardo Cunha

O povo carioca, tomado de surto de retrocessos mil, aceitando desde a degradação da música brasileira (sobretudo pelo "funk") até ônibus com pintura padronizada e uma rádio fajuta de rock (a intragável e incompetente Rádio Cidade), está pagando o preço caro de ter votado em candidatos reacionários por causa do modismo do "ódio ao PT".

Não bastasse um atrapalhado Jair Bolsonaro que não sabe fazer mosh (um tipo de salto muito comum em shows de rock), quanto mais governar um país, tivemos ontem um Eduardo Cunha fazendo jogo de cena aceitando renunciar à presidência da Câmara dos Deputados para salvar sua pele e, pelo menos, tentar evitar a cassação de seu mandato.

Enquanto muitos acreditam que a Era Eduardo Cunha chegou ao fim, ele poderá continuar agindo nos bastidores, já que a renúncia é insuficiente, pois o que ele praticou de corrupção e desvio de dinheiro público, além de outros crimes - ele foi denunciado por agredir a ex-mulher e por ameaçar aliados que não seguirem suas ordens de corrupção - , era para o deputado ser preso em regime fechado por 30 anos.

As pessoas ficam felizes porque o PT está fora do poder e abriram caminho para um governo ainda pior. Pois Eduardo Cunha segue agindo nos bastidores, como um dos mentores do governo Temer e pelo fato de parte do programa "Ponte para o Futuro" ser composto das temíveis "pautas-bombas" do então presidente da Câmara. A terceirização do mercado de trabalho, por exemplo, é uma delas.

Isso é que dá esse coquetel indigesto que se produz no Rio de Janeiro nos últimos anos, combinando conservadorismo com conformismo. O Rio de Janeiro vai ter que continuar engolindo Cunha, mesmo quando ele estiver aparentemente "fora de cena". Como diz Romero Jucá, Eduardo Cunha é Michel Temer, Michel Temer é Eduardo Cunha.

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