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"Declaro abertos os jogos..."

Hoje começa a supérflua e fatídica Olimpíada do Rio de Janeiro (ou Rio Olimpics, para os gringos). Muita festa, muita competição e turistas decepcionados por não encontrar aquelas maravilhas que viram na propaganda das agências de turismo. A "Cidade Maravilhosa" parece maravilhosa demais nos anúncios de turismo.

A festa de abertura promete ser "do arromba". No pior sentido. Como aperitivo, soubemos que uma das diretoras da abertura classificar o próprio espetáculo que dirigiu como "gambiarra" (armengue, em baianês), por causa do corte de custos. Se a Copa (que é prioritária um país que trata o futebol como obrigação social) teve uma abertura digna de gincana de escolinha furreca do interior, imagine como será a das Olimpíadas, evento que nunca despertou interesse pleno dos brasileiros.

Para se ter uma ideia, no roteiro aparece uma cena no minimo bizonha: a modelo brasileira-mas-que-vive-no-exterior-casada-com-marido-gringo  Gisele Bundchen (que tem sobrenome, cara e jeitão de alemã) é "assaltada" por um pivete, que imediatamente é preso. No final, policia, pivete e Gisele se confraternizam e dançam alegremente. O que é isso, afinal? Mais ridículo, impossível.

E para completar, Michel Temer, o temeroso golpista da Nação (me recuso a chamá-lo de "Presidente"), patrocinado pela mesma Rede Globo que pagará a "gambiarra", está para receber uma imensa vaia do público que sabiamente percebeu que a sua intromissão foi um golpe. Um golpe estimulado pela grande mídia, pago pelas grandes empresas e protegido por juízes corruptos. 

O COB pediu para que abafassem as vaias com música em alto volume, mas a organização, chateada por receber pouca verba para realizar a abertura, avisou que vai permitir a vaia. Aliás, entidades sociais de todo o país usarão as Olimpíadas para uma série de protestos, já que Temer, atendendo a solicitação de forças retrógradas políticas, religiosas e empresariais, vai cortar muitos direitos, com a destruição solene da CLT e a rasgamento de muitas páginas da Constituição Federal. Autoridades prometeram ser duras com os protestos, bem ao gosto de uma ditadura.

Já os esportistas, carneirinhos como sempre, prometem ser duros apenas durante as competições. No pódio prometem chorar bastante (muitos são cruelmente explorados por treinadores e patrocinadores), mas ficarem bem calados diante da oportunidade de manifestar suas orientações políticas. Nenhum deles prometeu usar a Olimpíada para protestar de alguma coisa, seja da crueldade recebida longe dos olhos públicos, seja do governo golpista que se instala.

O que se sabe com certeza é que tudo acabará na mesma. Os jogos, que servirão apenas para distrair as massas desviando as atenções da desgraça que acontece em Brasília e Curitiba, não melhorarão a vida de ninguém, não deixarão "legado" valioso, os lucros do turismo irão para as contas dos mais ricos e se o governo temeroso e golpista permanecer, se prepare que entraremos numa fase de trevas. Uma nova ditadura, só que não-militar, vai se instalar para arrasar com o Brasil, para que possa ser vendido a preço de liquidação às maiores empresas do mundo.

A competição, em que a dignidade é prêmio a ser alcançado, já estará perdida.

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