As semelhanças entre Carlos Lacerda e Eduardo Cunha


Diz a sabedoria que a História se repete como farsa. Pode ser. Para quem consegue enxergar a semelhança entre os tempos atuais e o começo da ditadura militar, é impossível olhar para Eduardo Cunha sem lembrar de Carlos Lacerda. cariocas, conservadores, com seus óclinhos e seu cinismo venenoso, ambos apoiadores ferrenho de regimes autoritários que se instalariam, para depois na hora H serem descartados pelos mesmos esquemas que eles apoiaram com fervor.

Ambos representam o novo perfil do carioca típico, direitista, cristão, conservador, preconceituoso e arrivista. Nada da fama que o carioca tentou exportar para o mundo de sujeito simpático, altruísta e alegremente malandro. A malandragem do novo carioca é outra: a de passar por cima dos outros para satisfazer interesses particulares.

Mas assim como Lacerda reconheceu tardiamente que a ditadura é ditadura, Cunha, que está afastado do cargo por denuncias de contas ilegais na Suíça, mas não antes de cumprir a "missão" de decretar a expulsão de Dilma, acaba de admitir que o golpe, que os direitistas não chamam de golpe, será uma "pagina negra" da História. 

Na fase mais árdua da ditadura, Lacerda teve que reconhecê-la e se uniu a antigos rivais para tentar combatê-la. Acabou morto supostamente por problemas cardíacos, embora as estranhas circunstâncias fossem muito suspeitas, levando a crer que ele tivesse sido assassinado pelo regime.

Cariocas felizes com o golpe

De qualquer forma, boa parte dos cariocas, majoritariamente de elite, estão felizes com a deposição daquela que atrapalhava seus interesses mesquinhos. Cariocas sempre foram muito mais preocupados com o futebol (tradicional e constante prioridade carioca) do que com qualidade de vida, esta cada vez mais em declínio na região metropolitana do estado.

Os planos cruéis dos aliados de Temer, que governa em nome do afastado Cunha não irão prejudicar as elites que certamente terão direito a dar sugestões ao governo como fizeram as celebridades Alexandre Frota e Klebber Toledo, interessados em defender a sua classe. Isso enquanto as maldades de Temer & CIA não os incomodar.

Se Temer ameaçar as elites, elas simplesmente se mudarão para o exterior, coisa que elas já fazem quando entram em férias. Algo que os pobres mortais que vivem no Brasil não tem o direito de fazer.

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