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A pior crise do Rio de Janeiro não é a econômica. É de personalidade

O Rio de Janeiro, não somente a capital, mas o estado todo, está em crise. Claro que a crise carioca é resultante da crise gerada pela ganância capitalista. Mas ao invés de criar meios de superá-la, preferiu se afundar ainda mais. Organizar copa e olimpíadas foi uma decisão equivocada. Mesmo bem sucedidas, geraram um rombo imenso nos cofres públicos. De qualquer forma, a crise é tanta que o governador interino (o principal estava licenciado) decretou a falência do estado, em documento.
Mas observando bem a rotina do povo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (que é a que eu posso observar), noto que a crise econômica é só uma das muitas crises pelas que passa a região. Aliás, a crise econômica, por incrível que pareça, é a mais fácil de ser resolvida. Há uma crise crônica muito pior, que não dá sinais de que será resolvida, sequer a longo prazo.

O carioca, por se achar o povo mais influente do Brasil, adquiriu um misto de arrogância e teimosia, que faz o povo da região perpetuar em seus defeitos, erros e preconceitos. O povo local vive uma crise de personalidade que está transformando o carioca em um dos povos mais ignorantes do país. Curiosamente, são os povos estigmatizados como evoluídos, como cariocas e curitibanos que estão dando sinais claros de burrice e insensibilidade que promete ser crônica.

O Rio de Janeiro virou a meca do consumismo e as relações humanas ficaram vinculadas ao consumismo. As amizades se tornaram condicionais. A ditadura do futebol que divide a sociedade de acordo com os 4 principais times, acaba por excluir do convívio quem se recusa a se assumir como torcedor de um dos "quatro fantásticos". 

No Rio, desprezar o futebol é sinônimo de solidão e perda de  importantes direitos que só podem ser adquiridos com o convívio social, incluindo os essenciais emprego e vida amorosa. O consumismo e o fanatismo da diversão viraram moedas para o bom convívio com outras pessoas.

Para piorar, a intolerância cresce de modo assustador no Rio de Janeiro que, junto com a capital paranaense, vê um crescimento discreto, mas rápido, de tendências fascistas que prometem agravar a vocação excludente do povo carioca. Pesquisas comprovam que uma imensa maioria de postagens com manifestações de ódio e preconceito tem computadores instalados no Rio de Janeiro como emissores.

Eu mesmo comprovei pessoalmente a natureza agressiva do povo carioca, capaz de comemorar um gol não com a alegria de uma pessoa sadia, mas com o rugir de um leão faminto. Opiniões que desmentem valores estabelecidos são atacados de forma violenta, com ofensas, ameaças e até mesmo ataques virtuais (transmissão intencional de vírus e malwares). Etnias que não correspondam ao branco caucasiano, sofrem sérias demonstrações preconceitos que para os emissores parece natural e livre de punição. Um horror.

A personalidade arrogante e intolerante do carioca tem gerado uma crise muito pior que a econômica. Há suspeitas de que essa crise de personalidade possa ser um grande obstáculo para a recuperação econômica do Rio de Janeiro. Os cariocas não irão abrir mão de seus supérfluos na tentativa de economizar gastos. Provavelmente vão preferir cortar - pasmem! - cortar o necessário para que o consumismo que dá orgulho ao carioca não seja cancelado.

Pelo jeito a crise carioca vai demorar décadas pera acabar. E poderá acabar muito mais tarde do que somos capazes de imaginar.

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