Pular para o conteúdo principal

Dois baianos bem cariocas

Povo baiano costuma ser humanitário. Mas a elite baiana normalmente age como carioca, com todos os defeitos que  carioca tem. Os ricos baianos, mesmo morando no bairro da Barra (Salvador também tem a sua Barra), sonham com a Barra da Tijuca carioca, a "róliudi" das celebridades "Globais" (de Rede Globo). 

Quem vive em Salvador sabe muito bem como é a elite de lá: no carnaval, loiros branquelos se vestem de "negão do Curuzu" clamando pela "paz entre os povos" pra depois da festa discriminar cruelmente o primeiro bronzeado que aparecer pela frente.

Geddel Vieira e Nizan Guanaes são desta elite. São baianos nada baianos. Brancos, ricos e muito bem vividos, estão completamente alheios ao bem estar das maiorias. Nesta semana, os dois, com seus nomes envolvidos tradicionalmente em casos de corrupção, tiveram destaque em dois episódios envolvendo a gestão temerosa que apoiam.

Geddel Vieira foi denunciado pelo ex-ministro da Cultura, o diplomata Marcelo Caleiro por este ter sido obrigado a mandar aprovar uma obra imobiliária em prol do primeiro, que seria dono de um dos apartamentos luxuosos a serem construídos em uma área nobre da capital baiana, com direito a uma praia particular, de acesso exclusivo. 

O episódio resultou na demissão de Caleiro, substituído pelo ex-comunista, convertido em direitista, Roberto Freire.  Este nada tem a ver com cultura, do contrário que o famoso escritor homônimo, já falecido. Se fosse o outro Roberto Freire, a pasta da Cultura poderia ganhar muito.

O outro baiano pró-temeridade, o publicitário Nizan Guanaes, deu uma declaração infeliz que denuncia o caráter anti-democrático do governo temeroso e do caráter de todos aqueles que o apoiam. Pelo jeito a elite brasileira perdeu vergonha de se assumir sádica e fascista.

Guanaes disse algo mais ou menos assim: "Temer aproveite a impopularidade para tomar medidas amargas que marcarão no futuro a sua gestão". Como Guanaes pertence à elite e, portanto, fala difícil: vamos traduzir em linguagem simples: "Isso, Temer, parte para cima e bota essa rale suja e burra para se fuder!". 

Guanaes, como rico, está muito bem protegido contra as atrocidades que acontecerão no país. Nada acontecerá com ele, se o país for definitivamente para o ralo. Se o Brasil,falir, ele e seus milionários e bilionários amigos coxinhas simplesmente se mudarão para os "Isteites"e para a "Zoropa" trancafiados em mansões, castelos e abrigos nucleares.

Mas ainda bem que Geddel e Nizan não correspondem ao baiano tradicional, majoritariamente progressista. Como disse o historiador, também baiano, este sim um honrado nativo da Boa Terrinha, Moniz Bandeira: "sou baiano, sou humanista"

Nizan Guanaes e Geddel Vieira são autênticos cariocas típicos que nasceram na Bahia. A cegonha deve ter errado o caminho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Espírito de Equipe

Recebemos em nosso e-mail uma mensagem de um leitor que pediu para não identificado e que contássemos o seu caso real com nossas palavras, sem reproduzir o seu texto. Obrigado leitor e vamos contar de nossa forma o seu caso, colocando o fictício nome de "João".
"João" é um excelente profissional, cumpridor de seus deveres, que nunca faltou o trabalho por motivo fútil, é pontual e costuma concluir suas tarefas um pouco antes da hora estipulada, tendo fama de adiantar bastante o trabalho da empresa.
Era um dia normal de trabalho. João estava mais uma vez em sua tarefa quando um dos colegas, o mais extrovertido tenta puxar uma conversa, de início simpática, com o colega.
Colega 1: Oi, João, tudo bem? João: Tudo. Colega: Você é um cara legal, trabalhador, gente boa mesmo. mas não sabemos muito de você. Qual é o seu time de futeboll? João: Eu não curto muito futebol. Colega 1: O quê? Não curte futebol? Você está brincando! João: Sério. Eu não sou muito ligado em futebol. Res…

Comemoração por futebol em dia de Golpe mostra infantilidade do povo carioca

Já é consenso da maioria que o dia 31 de agosto de 2016 é um dos dias mais tristes da História brasileira. Já é o pior momento de 2016. Uma democracia conduzida por uma presidente sem culpa é derrubada por um bando de corruptos a serviço de um pequeno grupo de ricaços. Uma atitude que poderá custar as vidas de muitos brasileiros.
Mas os cariocas, em sua maioria elitistas, pareciam felizes com a deposição de Dilma. Desprovidos de altruísmo e de senso de humanidade, pouco estão se lixando se o governo que se instalou através de um golpe irá ou não prejudicar a população brasileira. A elite está tranquila. Caso o prejuízo a alcance, é só entrar em um avião e se mudar para a Europa ou para os EUA. Como os cariocas são o povo mais burro do Brasil na atualidade, o futebol sempre foi e será prioridade máxima para a população local.
É isso mesmo. Esta mesma elite, junto com a classe média e alguns pobres que a apoiaram, estavam todos, na noite do mesmo fatídico dia 31 preocupados com "c…

Marcelo Crivella é o novo prefeito do Rio de Janeiro

Com cerca de 59% dos votos válidos (curiosamente o número de sua idade), Marcelo Crivella se torna o próximo prefeito da capital do Rio de Janeiro. Freixo recebeu cerca de 40% dos votos. Abstenções foram cerca de 46% superiores a Freixo.
A vitória de Crivella já era esperada dada o grau de conservadorismo do povo carioca e o fortalecimento das religiões cristãs, além do crescimento intenso das igrejas evangélicas. O fato de Crivella ser da Universal contou com a campanha da TV Record, bem popular no RJ. 
Apesar de ter recebido apoio da Globo (muito mais por rivalidade televisiva do que por ideologia), Freixo não conseguiu se eleger, admitindo a derrota imediatamente após confirmada a vitória de Crivella, no mesmo lugar onde seria a sua festa de comemoração, caso vencesse.
Apesar de seguir um manual que orienta a transformação de sua gestão em uma teocracia, Crivella deve saber que governará também para não-evangélicos e para não cristãos. Como é moderado, é provável que o plano de te…