A hipocrisia de Gisele Bundchen

Antes de escrever este texto, quero esclarecer que nossa equipe nada tem contra a modelo Gisele Bundchen. Nada contra e nem a favor. Mas o que ela fez é um bom exemplo do que nossas abastadas celebridades são capazes de fazer para forjar bom mocismo e atrair admiração alheia.

Na abertura da edição de 2017 do festival de música Rock in Rio (que só tem rock no nome), a modelo brasileira mais famosa do mundo, hoje fora das passarelas, fez um discurso piegas sobre ecologia e desejo de um mundo mais justo, que pode ter comovido incautos que acreditam na possibilidade de justiça em um mundo cronicamente injusto, mas manteve em sentinela os que conhecem os bastidores da política e das relações humanas.

Bundchen, para piorar, esteve do lado da não menos hipócrita Ivete Sangalo, uma cantora de voz boa mas de repertório inferior ao medíocre e que se encanou de virar proprietária da cultura brasileira, mesmo fazendo música com fins puramente e explicitamente financeiros. Ambas apoiaram o golpe de 2016, cientes da condição aristocrática em que se encontram em suas vidas.

Esta condição aristocrática é que faz com que as celebridades se tornem hipócritas quando fingem querer melhorar o mundo. Mentir é especialidade de nossas elites. Não dá para melhorar o mundo mantendo a gigantesca distância entre ricos e pobres. Os supérfluos de Bundchen com certeza impedem os mais pobres de terem o necessário. Mesmo que a própria modelo não tenha consciência deste fato.

Gisele Bundchen deveria ter evitado o episódio. A modelo tem todos os motivos para ser hipócrita em uma situação como esta. Descendente de uma bem vivida família da alemães, Bundchen iniciou sua carreira de modelo, uma profissão cuja única qualidade exigida é ter nascido bonita, graças a um caça-talentos, impressionado com a sua beleza. Beleza que, cá para nós, nem é tanta assim. Letícia Sabatella sozinha é milhões de vezes mais linda que trilhões de Giseles Bundchen juntas.

Hoje, a modelo, devidamente consagrada,vive como magnata, casada com um dos mais populares - e ricos - esportistas ianques. E como sabemos, magnatas sem pre odiaram governos trabalhistas, justificando a adesão ao golpe que depôs uma presidente honesta como Dilma para colocar uma máfia que apesar de claramente desonesta e mal intencionada, trabalha em prol da elite da qual pessoas como Ivete Sangalo e Gisele Bundchen pertencem.

Gisele nunca teve qualidades marcantes e nem simpática ela é. Mas se tornou influente e a fala dela no Rock in Rio foi bom para ela e para os organizadores do festival, simulando uma falsa preocupação pela melhoria da sociedade. Mas uma forma de melhoria que não mexe na ganância dos mais ricos, reservando aos mais carentes apenas umas migalhas, na forma de assistencialismo simbolizado por sopas aguadas e agasalhos rasgados.

A hipocrisia na abertura do Rock in Rio foi agravada pela canção "Imagine", de John Lennon, que é sempre entoada pelos hipócritas sem prestar atenção na letra, cheia de coisas que desagradam às elites e que fala inclusive que um mundo sem religiosidade seria melhor. Até onde eu sei, Bundchen e Sangalo, que entoavam o "hino", não são ateias e se utilizam da religiosidade para forjar uma bondade ausente em seu caráter.

Nada contra as duas, nada a favor. O que ambas fizeram é muito comum entre a nossa hipócrita elite brasileira que acredita na utopia de vivermos felizes e justos em uma sociedade onde a ganância, o ódio e a sede pelo poder fazem parte da essência desta gente abastada que não cansa de se exibir como "melhores que o resto da humanidade" e que somente em horas como essa, finge altruísmo muito mais para melhorar a sua própria imagem do que para ajudar os menos favorecidos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Rádio que pensa ser roqueira "consola" órfãos da Kiss FM por TEMPO LIMITADO

Rafael Picciani junto a Eduardo Cunha e Aécio Neves