Insegurança gera Insegurança

O assunto dos últimos dias foi a mega-operação para tentar combater a criminalidade na favela da Rocinha, a maior do município do Rio de Janeiro e situada na zona sul do mesmo. A decisão de uma operação como essa, demonstrada fracassada em outras ocasiões revela que no fundo, as autoridades não estão interessadas em combater o crime, usando a operação para "mostrar serviço". Na verdade as intenções são outras.

Primeiro, nunca podemos nos esquecer que vivemos uma guerra de classes. Ricos e pobres numa guerra não declarada, mas posta em prática com eficiência. Segundo, que os verdadeiros bandidos não estão nas favelas e sim em mansões, castelos e condomínios de luxo, isolados do mundo real e cujo poder pode ser acionado de suas pomposas residências, com o apertar de um simples botão de celular.

O que se viu na operação na Rocinha é na verdade uma propaganda do poderio militar. A operação coincide (ou não?) com a declaração de um general do Exército, General Antônio Mourão, de que deveria haver uma nova "intervenção militar" para combater a corrupção.

Como a corrupção é sistêmica e por isso quase impossível de ser combatida sem o fim da sociedade de classes (corrupção sempre favoreceu os mais ricos, eternos protegidos dos militares), concluímos que a declaração não era contra a corrupção mas contra o que a direita considera corrupção": ideologias de redistribuição de pena e dignificação das classe oprimidas.

Se unirmos as peças do quebra-cabeças chegaremos a conclusão que a operação, feita em convênio comas forças armadas serve mais para atrair apoio popular a uma operação militar. Já existem cidadãos, entre mal-intencionados e ingênuos, que aplaudem o exército toda vez que carros e soldados fardados aparecem diante deles.

É um trabalho psicológico para que surja no Brasil um novo tipo de Nazismo a eliminar as classes opressoras de todas as formas (mortes por assassinatos, por estímulos ao suicídio e por doenças) para que os bens fiquem exclusivamente nas mãos dos mais ricos e das classes medias que os apoiam.

É um plano secreto, mas real. As elites brasileiras tem mentalidade escravocrata, recebida durante várias gerações através de ancestrais que eram senhoras de engenho. Recorrer às forças armadas e a polícia militar, na verdade guaritas da plutocracia, tratando pobres como criminosos (pobreza é crime?) é uma boa forma de "higiene" social e aumento da concentração de renda. 

Até porque os criminosos de colarinho, verdadeiros chefes da violência carioca, nunca foram vistos sendo perseguidos e presos por militares. É praticamente impossível imaginar um político "tucano" algemado com um truculento soldado do Exército do lado, impedindo a fuga.

No fundo, a operação na Rocinha serviu de ensaio para a "intervenção militar" que está sendo preparada secretamente. É uma forma dos militares dizerem "estamos chegando e quem impedir os nossos abusos contra as classes oprimidas vai levar chumbo". É bom levar a sério este preocupante recado, anunciado pelo General Mourão e pela operação na Rocinha.

Parece que a trágica experiência da ditadura de 1964 não serviu para dar uma lição na sociedade brasileira. Temos que aprender tudo de novo. Aprender a sermos gente e não sádicos trogloditas com fome de exclusão social.

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