A simpatia de esquerdistas brasileiros por Eduardo Paes

Parece que os esquerdistas brasileiros, sobretudo os que não vivem no estado, e por isso desconhecem o que aconteceu realmente dentro dele, resolveram eleger Eduardo Paes para o governo do estado. Com um detalhe: Paes é direitista e retornou a seu partido de origem, o DEM (mesmo da dinastia ACM da Bahia, em decadência em seu estado) apoiado pelo seu padrasto político e mentor ideológico, César Maia (pai do golpista Rodrigo Maia), o neo-coronel político do estado.

É um fato curioso, pois a esquerda em geral é fraca no Rio de Janeiro, um estado com uma forma descontraída de conservadorismo, onde ideais antiquados são preservados sem prejudicar a vocação lúdica da capital cultural do Brasil, ainda bastante influente nos costumes de todo o país. Cientes disso, pode ser que esquerdistas tenham optado para um direitista os representar.

O que faz Paes ser simpático para as esquerdas é, além de sua relativa juventude e jeito descontraído que o faz ser confundido com um progressista, o fato de ter comandado duas grandes festas (copa e olimpíadas), superestimadas pelas esquerdas brasileiras. Como se festas fossem indispensáveis à melhoria da qualidade de vida. Ingenuidade das esquerdas.

A gestão de Paes foi marcada pela priorização destas festas. Acreditar que a gestão dele foi boa por causa disso é uma ignorância sem tamanho. Esquecem os esquerdistas que para fazer tais festinhas, Paes teve que negligenciar setores importantes. Áreas pobres, sobretudo a Zona Oeste do município, ficaram praticamente abandonadas na gestão Paes.

Como a maioria dos esquerdistas gosta de futebol (não como mero lazer mas como "honroso dever cívico"), foram logo tratando de defender a copa como fator de transformação social, concordando com a priorização da copa, tachando de "direitistas" aqueles que reconhecem a real inutilidade da copa em um país cheio de problemas quase insolúveis. O preconceito contra quem despreza o futebol deveria ser eliminado.

Rotular um prefeito como "bom" só porque ele conseguiu realizar as duas maiores festas que uma cidade poderia ter é uma ingenuidade tipicamente infantil. Festas são para países com problemas resolvidos, como a Noruega, que estranhamente reconhece que atividades puramente lúdicas são supérfluas. Ainda mais esquerdistas, que são progressistas. Há progresso em colocar festa acima de coisas mais urgentes? Óbvio que não.

Transformar o Rio de Janeiro em uma Disneylândia não fará da cidade um lugar melhor para se viver. O chamado "legado da copa" está mais comprovado como farsa e o estado segue em forte crise, com grandes chances de piorar. O "Porto Maravilha" e o "Boulevard Olímpico" já começam a decair enquanto a cidade toda se deteriora a olhos vistos.

Enquanto isso, as esquerdas seguem deslumbradas com um político direitista, fiel às suas origens maianas (de César Maia), só porque ele conseguiu fazer a alegria da criançada com dois eventos superpoderosos. Ou porque a esquerda é tão fraca a ponto de esquerdistas brasileiros elegerem omo o seu representante o direitista mais bem colocado nas pesquisas. Esquisito isso, não?

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